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Petrobrás bate recorde de produção com pré-sal, mas população não tem o que comemorar

Com foco nos acionistas, empresa prioriza exportação e segue subutilizando a capacidade de produção das refinarias

15/01/2021
Petrobrás bate recorde de produção com pré-sal, mas população não tem o que comemorar

A Petrobrás divulgou, no início do mês, em tom festivo, que bateu recorde de produção em 2020, mesmo em meio à pandemia de Covid-19. O bom resultado é reflexo de anos de investimento público no pré-sal, mas que não se reverte em nenhum benefício à população, que segue penalizada pela alta dos combustíveis e gás de cozinha. 

A companhia informou que a produção anual de petróleo somou 2,28 milhões de barris por dia (bpd), enquanto a produção total (que inclui gás natural) alcançou 2,84 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). O recorde anterior é de 2015, com 2,23 milhões de barris de óleo/dia.

Em 2020, a estatal também bateu sucessivos recordes de exportação, na comparação com o ano anterior. Isso demonstra que a maioria do petróleo extraído do pré-sal foi exportado para outros países, ao invés de ser revertido para a população, garantindo combustíveis mais baratos. E tudo isso ocorre ao mesmo tempo em que a empresa diminui substancialmente a produção de derivados de petróleo em suas refinarias, fazendo os preços saltarem ainda mais.

Desvio de finalidade
Sob a gestão de Bolsonaro, Paulo Guedes e Castello Branco, a Petrobrás, que foi criada por meio de lei para garantir o desenvolvimento do país e atender à população, passa por um desvio claro de função e passa atender apenas aos interesses dos acionistas. 

Um estudo elaborado por professores da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) e do Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia), aponta que a Petrobras vem subutilizando a capacidade de produção das suas refinarias, que registrou um nível médio de 75%, no primeiro semestre de 2020.

Caso as refinarias estivessem operando em plena capacidade, além de pressionar para baixo a inflação medida nos setores de transportes, alimentos e bebidas, entre outros, teria impacto positivo superior a R$ 3,6 bilhões sobre o PIB (Produto Interno Bruto), revela o estudo.

“Esse movimento, que já vem sendo denunciado há tempos pelos sindicatos, demonstra claramente que o foco da empresa deixou de ser, há tempos, a de garantir a soberania energética do país, e passou a ser a geração de valores aos acionistas, por meio da redução das atividades da empresa. Um grave desvio de finalidade que penaliza toda a população”, disse o presidente do Sindipetro-SJC, Rafael Prado.

Fonte: Sindipetro-SJC

Tags pré-sal recorde de produção soberania refenarias

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